A avaliação antes da intubação pode ser uma grande aliada para evitar morbidade e mortalidade em casos de via aérea difícil

A avaliação prévia da via aérea permite um maior tempo para seleção adequada de equipamentos adjuntos, escolha de técnicas alternativas e presença de profissionais experientes para o procedimento. Essa avaliação antes da intubação pode ser uma grande aliada para evitar alguns casos de morbidade e mortalidade.

Como definir uma via aérea difícil?

A via aérea difícil é quando um médico treinado experimenta dificuldade na ventilação por máscara facial, dificuldade com intubação orotraqueal ou ambos.

Fatores de risco para uma ventilação por máscara ser considerada difícil

Intubação orotraqueal difícil

A laringoscopia tradicional é realizada a fim de visualizar uma abertura laríngea. O laringoscopista observador está situado fora da via aérea, acima da cabeça do paciente. Para visualizar a via áerea, a luz deve viajar da abertura glótica até o olho do laringoscopista. Como a luz caminha em linha reta, as técnicas de intubação orotraqueal requerem um caminho linear ininterrupto entre a laringe e o observador.

Fatores de dificuldade para intubação orotraqueal

Indicadores

A identificação de uma via aérea difícil antes da intubação orotraqueal é fundamental para evitar complicações.

Vários indicadores podem auxiliar na avaliação. Os principais são: LEMON e HEAVEN.

Lemon

O índice LEMON é ideal para uma avaliação rápida da via aérea e é muito usado, porém tem limitações como a impraticabilidade de alguns dos seus elementos em situações de emergência.

L (look): Face anormal, trauma facial, barba, ausência de dentes, próteses dentárias, obesidade, cirurgia prévia do pescoço.

E (evaluate): Distância inter-incisivos <3 dedos.

M (mallampati): Distância tireo-mento <3 dedos.

O (obstruction): Distância da junção do pescoço à proeminência laríngea <2 dedos.

N (neck mobility): Mallampati III ou IV.

Heaven

O critério HEAVEN é bastante relevante no contexto emergencial de intubação em sequência rápida.

H (hipoxemia): Considerados valores <93% no tempo inicial da laringoscopia.

E (extremos de tamanho): Pacientes pediátricos < 8 anos ou obesidade clínica para uma provável dificuldade de ventilação ou dificuldade de intubação orotraqueal.

A (alteração anatômica): Qualquer anormalidade estrutural que é antecipada, incluindo trauma de via aérea, abertura oral limitada, macroglossia, pescoço curto, corpo estranho, presença de massa cervical ou estruturas externas que limitam a laringoscopia.

V (vômito/sangue/fluidos): Fluido clinicamente significativo notado da faringe ou hipofaringe antes da laringoscopia.

E (exsanguinação): Anemia suspeita, aguda ou crônica, levantando preocupações quanto ao reduzido tempo de apnéia, sem queda da saturação de O2.

N (neck mobility ou problemas de mobilidade cervical): Amplitude de movimento cervical limitado.

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